Crédito imobiliário: o passo a passo do financiamento, do crédito ao registro
Crédito imobiliário: o passo a passo do financiamento
Um guia prático para quem vai financiar um imóvel em 2026
Se você está começando a buscar um financiamento imobiliário (ou financiou no passado e percebeu que muita coisa mudou), este guia é o “comece por aqui”. A ideia é explicar o básico que realmente importa: por onde começar, como comparar bancos, o que é carta de crédito, quais etapas travam o processo e quais custos aparecem no caminho — sem linguagem técnica desnecessária.
1) Por onde começar (e o mito da “agência do seu banco”)
Muita gente acha que precisa ir direto na agência, falar com o gerente e “escolher um banco”. Hoje, o caminho mais inteligente é o oposto: simular em vários bancos e só depois decidir qual faz mais sentido.
Por quê?
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Na maioria dos casos, não é obrigatório ser correntista para iniciar o processo e aprovar crédito.
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Você pode ter carta de crédito de mais de um banco e escolher a melhor opção com calma.
Regra prática: quanto mais bancos você compara, maior a chance de melhorar taxa, custo inicial e condições.
2) “Pré-aprovado” não é aprovação
Se aparece “pré-aprovado” no app do banco ou o gerente fala que “já está aprovado”, trate como marketing.
No crédito imobiliário, o que vale de verdade é:
✅ Aprovação formal após envio de proposta e análise do banco
✅ Emissão de uma Carta de Crédito, com:
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valor aprovado
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taxa de juros
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prazo
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validade (em geral 60 a 90 dias, varia por banco)
Sem carta de crédito, você não tem garantia de nada para fechar negócio com segurança.
3) O que o banco analisa na aprovação
Nome limpo (restrição impede SFH)
Renda mínimaUm ponto muito analisado hoje é o histórico de crédito. Estar em dia com cartão de crédito (sem entrar no rotativo), ter outros financiamentos ativos ou quitados sem intercorrências e manter seu endividamento mensal equilibrado é fundamental e muito relevante.
Se houver restrição no CPF, o financiamento normalmente não avança até regularizar.
Regra de bolso comum:
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SAC: renda costuma precisar ser ~3x a primeira parcela
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PRICE: alguns bancos podem exigir mais (há casos de até 6x, depende da política do banco)
4) SFH e FGTS (o que você precisa entender)
O SFH (Sistema Financeiro da Habitação) é o regime onde ficam grande parte dos financiamentos residenciais e é onde, em geral, você consegue usar FGTS conforme regras.
Ponto prático citado:
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imóveis no SFH vão até R$ 2,25 milhões desde início de 2026 com as novas regras do financiamento imobiliário divulgadas pelo Banco Central, que devem dar grande impulso ao segmento nos próximos meses/anos, mas falaremos disso em outro artigo.
Se você vai usar FGTS, já se organize com:
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extrato FGTS
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carteira de trabalho (hoje pode ser digital)
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IRPF e documentos que comprovem regras
(Depois a gente faz um post só de FGTS e linka aqui.)
5) SAC x PRICE: escolha que muda seu custo total
SAC (Sistema de Amortização Constante)
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parcelas começam mais altas e vão caindo
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amortização é fixa: ex. R$ 240.000 / 240 meses = R$ 1.000 amortiza todo mês
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costuma ser mais vantajoso no custo total de juros
PRICE (Parcelas “mais estáveis”)
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parcela fica mais “constante”
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amortização começa pequena e vai crescendo com o tempo
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pode facilitar encaixe no orçamento, mas tende a pagar mais juros no total
em média possui taxas de juros mais altas ou % menores de financiamento iniciais.
Regra prática CSM:
Se a parcela inicial do SAC cabe no seu orçamento, SAC costuma ganhar. No mesmo juro, pode dar economia relevante no total do contrato.
6) TR x IPCA: a correção que muda previsibilidade
Todo financiamento tem correção (indexador). Os mais comuns:
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TR: mais previsível (varia menos)
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IPCA: acompanha inflação e pode subir forte, deixando parcela/saldo mais “nervosos”
Regra prática: quando puder, prefira taxa fixa + TR, porque a previsibilidade conta muito no longo prazo.
7) Contratação: documentos do comprador, vendedor e do imóvel
Comprador
RG/CPF (ou CNH), estado civil, dados de conta.
Se o banco escolhido exigir, você abre conta (geralmente débito em conta é padrão).
Vendedor
Pessoa física: documentação similar.
Pessoa jurídica: contrato social + alterações + documentos dos sócios que assinam.
Procuração: se existir, tem que entrar desde o começo. Se aparecer só depois, pode obrigar a refazer contrato.
Documentos do imóvel (onde muita gente vacila)
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Matrícula atualizada: tem que estar “limpa”
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se houver usufruto, processo, restrição: banco normalmente trava
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IPTU (espelho/certidão venal/dados cadastrais)
8) Imóvel já financiado: dá pra comprar?
Dá, mas não existe “transferência de dívida”.
Se o imóvel já tem financiamento, entra o interveniente quitante: seu financiamento quita o anterior e então registra o novo.
Regra prática:
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o valor que você vai financiar precisa ser igual ou maior que a dívida atual do imóvel.
9) Vistoria, ITBI e cartório: quando o custo “começa de verdade”
Durante análise jurídica, ocorre a vistoria do imóvel (avaliar condição e valor de mercado). A taxa varia bastante.
Depois do contrato emitido e assinado:
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ITBI: em média 2% a 3% (varia por município)
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Registro no cartório de imóveis: prazo comum 15 a 30 dias (depende do cartório)
Após registrar, você leva matrícula/contrato ao banco e:
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o banco paga o vendedor (média: até 5 dias úteis)
Quando vem a 1ª parcela?
Em geral, 30 dias após a data de emissão do contrato (não é 30 dias após posse ou pagamento).
Checklist final
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tenho carta de crédito?
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comparei mais de um banco?
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escolhi SAC ou PRICE com consciência?
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entendi TR x IPCA?
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matrícula do imóvel está limpa?
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tenho noção de vistoria + ITBI + cartório?
Na CSM, a simulação é gratuita, feita em vários bancos, e você recebe tudo explicado — inclusive custos e riscos.




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